O mercado do boi gordo em Mato Grosso continuou sua reação em fevereiro de 2026, com os preços sustentados por uma oferta mais restrita de animais e por uma demanda que se mantém firme tanto no mercado interno quanto no externo, de acordo com dados regionais e indicadores nacionais mais recentes.
Segundo análise semanal do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgada na última segunda-feira (16), até a segunda semana deste mês a cotação do boi gordo a prazo no estado apresentou alta de 2,81% em comparação com o mesmo período de janeiro, ficando cotada a R$ 304,14 por arroba.
No mesmo intervalo, as escalas de abate recuaram 20,44%, com média de 10,39 dias úteis nas duas primeiras semanas do mês.
O Imea também observou que as escalas de abate encerraram em 9,94 dias, o valor representa redução de mais de dois dias úteis no período comparativo, resultado associado à menor oferta de animais para abate e ao aumento temporário da procura por carne bovina.
Contexto nacional: oferta controlada e demanda firme
Os dados de mercado apontam que a valorização das cotações do boi gordo em fevereiro não é um fenômeno isolado de Mato Grosso, mas reflete um cenário nacional de oferta restrita e demanda consistente.
Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) registraram que o preço do boi gordo no Brasil iniciou fevereiro em níveis superiores aos observados em janeiro e já se encontra acima de R$ 330 por arroba, sustentado por uma oferta limitada de animais prontos para abate e pelo bom desempenho das exportações de carne bovina.
Alguns indicadores sugerem que o movimento de alta nos preços começou logo no início do mês, retornando a patamares que não eram observados desde meados de 2025 em algumas praças, impulsionado pela necessidade dos frigoríficos de completar suas escalas de abate diante da menor oferta disponível.
Especialistas em pecuária também destacam que o ciclo de oferta de gado no Brasil está em uma fase de ajuste estrutural em 2026, com estoques de animais mais apertados e consequentemente menos cabeças prontas para abate, ao mesmo tempo em que a demanda interna e externa permanece robusta, o que contribui para a sustentação dos preços no curto prazo.
Exportações aquecidas e posição global
No plano externo, o Brasil tem ampliado sua atuação no mercado global de carne bovina. Dados recentes revelam que o país registrou processamento recorde de bovinos no quarto trimestre de 2025, impulsionado pela demanda da China, que absorveu volumes expressivos de carne no início de 2026.
A posição brasileira como um dos principais fornecedores globais de carne bovina significa que tanto a dinâmica de oferta interna quanto fatores externos — como cotas de exportação e tarifas aplicadas por grandes mercados — podem influenciar os preços domésticos do boi gordo ao longo do ano.
Nesse contexto, os pecuaristas e compradores seguem atentos às condições das escalas de abate e às variáveis de oferta e demanda, que tendem a determinar a direção dos preços ao longo de 2026.
Fone: A Tribuna MT
Crédito da Foto: Marcos Vergueiro/Secom-MT