Mortes em hospital do DF; vítima recebeu desinfetante na veia

Os pacientes, que tinham 33, 73 e 75 anos, estavam internados na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital

Um dos três técnicos de enfermagem presos por suspeita de envolvimento na morte de três pacientes no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), é suspeito de injetar desinfetante na veia de uma das vítimas.

Os pacientes, que tinham 33, 73 e 75 anos, estavam internados na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital. Eles morreram em dezembro último, em decorrência de supostas condutas inapropriadas adotadas pelos suspeitos.

A informação sobre o uso de desinfetante por um dos investigados foi divulgada pelo delegado Mauricio Iacozilli, da CHPP (Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa) da PCDF (Polícia Civil do Distrito Federal), em entrevista à RECORD.

“Ele [o técnico de enfermagem] fez quatro aplicações com medicação [em uma paciente]. De 10 a 15 minutos após cada uma, a vítima teve uma parada cardíaca, e a equipe [de saúde] conseguiu ressuscitá-la. Então, ele foi à pia do leito, pegou um desinfetante hospitalar e fez mais de 10 injeções nela”, detalhou Iacozilli.

Operação policial
O técnico de enfermagem que teria injetado desinfetante na vítima tem 24 anos e chegou a invadir computadores de médicos para falsificar receitas prescritas, segundo as investigações. A PCDF ainda apura a possível motivação para os assassinatos.

O trio de funcionários suspeito de ter envolvimento na morte dos três pacientes foi demitido do Hospital Anchieta, que pediu a abertura de um inquérito policial sobre o caso.

Os óbitos ocorreram em 19 de novembro e 1º de dezembro de 2025. A Polícia Civil do Distrito Federal divulgou as informações sobre a Operação Anúbis nessa manhã e que as prisões se deram em duas etapas: dois dos suspeitos foram detidos em 11 de janeiro, e a terceira investigada, na última quinta-feira (15).

Também houve cumprimento de três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia (DF) e Águas Lindas (GO), no Entorno do Distrito Federal.

Por se tratar de um caso que tramita em segredo de Justiça, a PCDF não divulgou outros detalhes sobre as mortes das vítimas.

Leia a nota do hospital na íntegra:

O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.

Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que, em menos de 20 dias, resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.

Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos – os quais haviam sido desligados da instituição –, as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.

Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora.

Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de Justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.

O hospital entende que o segredo de Justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.

O hospital, enquanto também vítima da ação desses ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça.

 

Fonte: R7
Crédito da Foto:  Divulgação/Agência Brasil - Arquivo