Ipea e IFI classificam gastos do Governo Federal como 'insustentáveis' e alertam para risco fiscal

Órgãos técnicos apontam que dívida pública pode chegar a 81,4% do PIB; Projeções indicam cenário fiscal deteriorado no terceiro mandato de Lula, sua equipe econômica nega crise e defende cumprimento de metas

A política de gastos do atual governo federal acendeu um sinal de alerta em duas das principais instituições de análise econômica do país. Relatórios divulgados pela Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado ao próprio governo, classificaram a trajetória das contas públicas como “insustentável”.

O diagnóstico central dos documentos é claro: o governo Lula (PT) gasta sistematicamente mais do que arrecada. Esse desequilíbrio, se mantido, pode levar o Brasil a uma nova crise fiscal, comprometendo a capacidade do Estado de honrar suas dívidas e sustentar a economia.

O paradoxo da Renda x Cofre Vazio

Os relatórios apontam um cenário contraditório. Na “economia real”, a população experimenta um momento de melhoria na qualidade de vida, com aumento do rendimento financeiro proveniente do trabalho. No entanto, os cofres públicos não refletem essa bonança.

Devido às despesas elevadas, o governo enfrenta dificuldades para cobrir custos recorrentes e essenciais da máquina pública.

O impacto já é sentido na ponta da gestão, com falta de recursos para o funcionamento regular de órgãos, manutenção de estradas federais e até para a emissão de passaportes.

O risco da Crise Fiscal

O temor dos especialistas é que o Brasil entre em uma espiral de endividamento. Segundo a análise técnica, em um quadro mais grave, a crise fiscal levaria inevitavelmente a consequências severas para a sociedade:

Queda da atividade econômica;

Aumento do desemprego;

Redução da renda dos trabalhadores (revertendo os ganhos atuais).

Comparação com a Era Dilma

Os estudos traçam um paralelo preocupante com o final do governo de Dilma Rousseff, que culminou na crise econômica de 2015/2016.

Em 2015: A dívida pública havia crescido 14%, atingindo 66,6% do PIB.

Projeção Atual: Para o terceiro mandato de Lula, a estimativa é que a dívida pública tenha um aumento de 10%, mas alcance um patamar muito superior, chegando a 81,4% do PIB.

O Outro Lado: Governo nega Descontrole

Procurado pela Folha de S.Paulo, o Ministério da Fazenda contestou as conclusões pessimistas dos relatórios.

Em nota, a pasta comandada por Fernando Haddad negou a possibilidade de uma crise e reafirmou o compromisso com o novo arcabouço fiscal.

“O termo ‘crise fiscal’ é equivocado.

Em 2024, a meta de primário foi alcançada, com resultado mais próximo do centro da meta do que de sua banda inferior”, declarou o Ministério.

A equipe econômica sustenta que as contas estão sob controle e que os mecanismos de ajuste fiscal estão funcionando conforme o planejado pelo Executivo.

 

Fonte: A Tribuna MT
Crédito da Foto: Reprodução / Jornal MT