Um laudo médico elaborado pela Polícia Federal (PF) e divulgado ontem, sexta-feira (19), revela detalhes agudos sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O documento, assinado por quatro peritos da corporação, atesta que Bolsonaro enfrenta um quadro clínico de soluços persistentes, com frequência estimada entre 30 e 40 episódios por minuto.
O relatório fundamentou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a saída do ex-presidente da prisão para a realização de uma cirurgia, embora tenha negado o pedido de conversão da pena para prisão domiciliar.
Detalhes do Laudo Pericial
A perícia, realizada na última quarta-feira (17), descreve um cenário de desconforto contínuo. Segundo os peritos, os soluços persistiram durante toda a realização do exame médico, sem apresentar qualquer sinal de melhora.
O documento registra o relato do próprio ex-presidente, indicando que o problema se intensificou nos últimos sete meses, “trazendo prejuízo na alimentação e no sono”.
Além dos espasmos involuntários, Bolsonaro relatou sofrer de refluxo do conteúdo gástrico associado a uma tosse crônica, sintomas que se agravam principalmente quando ele está deitado.
Após a avaliação clínica, a conclusão dos peritos foi taxativa quanto à necessidade de intervenção médica. O laudo afirma que o ex-chefe do Executivo é “portador de hérnia inguinal bilateral que necessita reparo cirúrgico em caráter eletivo”.
Sobre o quadro específico dos soluços ininterruptos, os médicos indicaram um procedimento neurológico como solução viável:
“no tocante ao quadro de soluços, o bloqueio do nervo frênico é tecnicamente pertinente”. A recomendação final dos profissionais quanto à urgência da cirurgia é de que ela deve ocorrer “o mais breve possível”.
A decisão de Alexandre de Moraes
Com base nas conclusões da PF, o ministro Alexandre de Moraes autorizou, nesta sexta-feira (19), que Bolsonaro deixe a unidade prisional para realizar o procedimento cirúrgico. A saída, no entanto, não é imediata. Caberá à defesa do ex-presidente informar ao STF a data prevista para a operação e os detalhes hospitalares.
Bolsonaro encontra-se detido na Superintendência da Polícia Federal, onde cumpre pena definitiva de 27 anos e três meses de prisão, decorrente da condenação na ação penal por tentativa de golpe de Estado.
Prisão Domiciliar Negada
Embora tenha autorizado a cirurgia, Moraes indeferiu o novo pedido da defesa para que Bolsonaro cumprisse a pena em prisão domiciliar em razão do seu estado de saúde.
O magistrado argumentou que o ex-presidente já possui autorização para receber atendimento médico particular sem necessidade de aval judicial prévio e que há uma equipe da PF à disposição para emergências.
Para justificar a manutenção da prisão em regime fechado, Moraes destacou a localização estratégica da carceragem.
“O réu está custodiado em local de absoluta proximidade com o hospital particular onde realiza atendimentos emergenciais de saúde – mais próximo, inclusive, do que o seu endereço residencial – de modo que não há qualquer prejuízo em caso de eventual necessidade de deslocamento de emergência”, despachou o ministro.
Fonte: A Tribuna MT
Crédito da Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom / Ag. Brasil