A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou uma manifestação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) apresentando uma justificativa clínica para o episódio da queima da tornozeleira eletrônica, ocorrido antes de sua prisão preventiva. Os advogados argumentam que o ato não foi uma tentativa de fuga, mas sim o resultado de um quadro de “confusão mental” e “pensamentos persecutórios” desencadeados por uma interação medicamentosa adversa.
A explicação foi enviada em resposta a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, que havia dado um prazo de 24 horas para que a defesa esclarecesse o incidente.
Com base nesses argumentos, os advogados Celso Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Tesser solicitaram que o ministro reconsidere a decisão de prisão preventiva e volte a analisar o pedido de prisão domiciliar humanitária.
A tese da Defesa: “comportamento ilógico”
A linha de argumentação da defesa sustenta que, embora a tornozeleira tenha sido alvo de uma tentativa de abertura da tampa, o ex-presidente não retirou o equipamento ou sequer tentou romper a cinta do dispositivo, o que, segundo eles, comprova a ausência de intenção de fugir.
“Nada, na ação descrita nos documentos produzidos pela SEAP (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária), narra uma tentativa de fuga ou de desligamento da tornozeleira eletrônica. Muito pelo contrário, expõe um comportamento ilógico”, afirmam os advogados no documento.
A defesa atribui esse comportamento a um tripé de fatores:
a idade avançada de Bolsonaro (70 anos);
o estresse inequívoco a que ele está submetido; e
principalmente, os efeitos colaterais de medicamentos.
O fator medicamentoso: a pregabalina
A tese da defesa foi corroborada por um relatório médico. Na manhã deste domingo (23), o cardiologista Leandro Echenique e o cirurgião geral Claudio Birolini, que compõem a equipe que acompanha o ex-presidente, visitaram Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Os médicos informaram ao STF que o paciente relatou ter sofrido, na sexta-feira (21), um quadro de confusão mental e alucinações. A avaliação profissional indicou que esses sintomas foram “possivelmente induzidos pelo uso do medicamento Pregabalina“.
Segundo o relatório, a Pregabalina havia sido receitada por outra médica, sem o conhecimento da equipe principal, com o objetivo de otimizar o tratamento. No entanto, a substância apresentou uma “importante interação” com os remédios que Bolsonaro já utiliza regularmente para o controle de crises de soluço.
Os médicos listaram os efeitos colaterais conhecidos da Pregabalina, que coincidem com o relato do ex-presidente:
Alteração do estado mental;
Possibilidade de confusão mental e desorientação;
Coordenação anormal e transtorno de equilíbrio;
Sedação;
Alucinações e transtornos cognitivos.
Estado de saúde atual
Após a identificação do problema, a equipe médica suspendeu imediatamente o uso da Pregabalina. Segundo os profissionais, com os ajustes realizados, não há mais sintomas de confusão mental.
No momento da avaliação na carceragem da PF, Jair Bolsonaro encontrava-se estável e passou a noite sem intercorrências de saúde. Os médicos informaram que continuarão acompanhando a evolução clínica do ex-presidente através de reavaliações periódicas.
Fonte: A Tribuna MT
Crédito da Foto: Rafa Neddermeyer / Ag. Brasil