Após os últimos dias em que a temperatura foi superior a marca de 40º C, a combinação de calor extremo, estiagem prolongada e baixa umidade relativa do ar levou autoridades estaduais e federais a elevarem o alerta para queimadas em Rondonópolis e em todo o sul e sudeste de Mato Grosso.
Dados de monitoramento meteorológico e ambiental apontam que a semana deve ser uma das mais críticas do ano, com impactos diretos sobre a saúde da população, o meio ambiente e as atividades econômicas da região.
Calor e seca intensificam risco
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), as previsões para os próximos dias indicam temperaturas acima da média e umidade relativa do ar entre 12% e 20% em municípios do sul mato-grossense.
O cenário coloca a região em estado de atenção e alerta laranja, condição que favorece a propagação rápida do fogo em áreas urbanas e rurais.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também classifica Mato Grosso em situação de seca moderada a severa, com tendência de agravamento. A estiagem prolongada reduz a umidade do solo, seca a vegetação e aumenta a vulnerabilidade de pastagens, lavouras e matas nativas.
Focos de calor em alta no estado
O Programa Queimadas do INPE detectou, por satélite, centenas de focos ativos em Mato Grosso nas primeiras semanas de setembro, colocando o estado novamente entre os líderes nacionais em registros.
O acumulado do ano já ultrapassa dezenas de milhares de ocorrências, com destaque para municípios do sul e sudeste, como Rondonópolis, Itiquira, Alto Araguaia e Pedra Preta.
Ainda que os dados municipais detalhados sejam atualizados diariamente, análises de séries históricas mostram que Rondonópolis figura entre os polos recorrentes de queimadas urbanas e rurais, especialmente entre agosto e outubro. A região de transição entre cerrado e áreas de cultivo mecanizado de grãos aumenta a exposição ao risco.
Bombeiros em sobrecarga
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) vem atuando em ritmo intensificado desde o início da estiagem. Boletins recentes mostram dezenas de ocorrências atendidas por dia em todo o estado, muitas delas concentradas na região sul.
As equipes locais em Rondonópolis têm recebido reforços pontuais de efetivo e equipamentos, diante do aumento da demanda.
“Estamos diante de uma temporada crítica, em que pequenas fagulhas podem se transformar em incêndios de grandes proporções.
Nosso trabalho é constante, mas precisamos da colaboração da população para evitar queimadas ilegais e irresponsáveis”, destacou o comandante regional do CBMMT em nota oficial.
Impactos na saúde e na economia
A fumaça das queimadas já afeta diretamente a saúde da população, sobretudo crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. Hospitais e unidades de pronto-atendimento de Mato Grosso registram aumento nas queixas de asma, bronquite e irritação ocular durante o período crítico.
Na economia, as perdas vão além do gasto público com combate ao fogo. Produtores rurais têm prejuízos com pastagens queimadas, queda na qualidade do solo e risco para lavouras em fase de desenvolvimento.
O transporte também sofre: a fumaça reduz a visibilidade em trechos de rodovias federais que cortam o sul do estado, aumentando a probabilidade de acidentes.
Mobilização e medidas preventivas
A Defesa Civil estadual anunciou a ativação do Gabinete de Crise do Período de Estiagem, reunindo representantes do Corpo de Bombeiros, Ibama, Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), Polícia Militar Ambiental e órgãos municipais. O objetivo é integrar ações de combate, monitoramento e fiscalização.
Entre as medidas adotadas estão:
Proibição do uso do fogo em áreas urbanas e rurais durante o período de estiagem.
Intensificação da fiscalização em propriedades rurais e margens de rodovias.
Campanhas de conscientização nas escolas e bairros mais afetados.
Disponibilização de canais de denúncia e emergência (193 – Bombeiros / 199 – Defesa Civil).
Contexto histórico e comparação
Historicamente, o mês de setembro concentra os maiores índices de focos de calor em Mato Grosso.
Em 2024, segundo o INPE, o estado registrou mais de 32 mil focos no acumulado anual, número que coloca a região como uma das principais frentes da crise de queimadas no país.
A situação em 2025 segue a mesma tendência, com registros superiores à média histórica. Em Rondonópolis, a combinação de crescimento urbano acelerado, expansão agrícola e condições climáticas adversas torna o município especialmente vulnerável.
Especialistas pedem mudança cultural
Pesquisadores e ambientalistas alertam que a cultura do uso do fogo como ferramenta agrícola continua sendo um dos principais vetores do problema. Apesar da proibição, a prática ainda é comum em áreas de pastagem e limpeza de terreno.
“O combate é importante, mas não basta. É preciso investir em prevenção, educação ambiental e alternativas produtivas para os agricultores. O fogo não pode continuar sendo visto como um recurso inevitável”, afirma um pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
Orientações à população
Enquanto as condições não melhoram, a recomendação das autoridades é clara:
Evite qualquer tipo de queimada, mesmo em pequenos terrenos.
Redobre cuidados com bitucas de cigarro e lixo em rodovias.
Hidrate-se com frequência e evite atividades físicas em horários de maior calor.
Procure atendimento médico em caso de falta de ar, tosse persistente ou irritação nos olhos.
Acione imediatamente os bombeiros (193) ou a Defesa Civil (199) em caso de incêndios.
Conclusão
Com a previsão de dias ainda mais secos e quentes, Rondonópolis e o sul de Mato Grosso atravessam um período que exige atenção redobrada do poder público e da população. A união de esforços entre órgãos de combate, fiscalização e conscientização popular será determinante para reduzir os danos da temporada de queimadas de 2025, considerada uma das mais severas da última década.
Fonte: A Tribuna MT
Crédito da Foto: Arquivo / César Augusto