A megaoperação, que compreendeu três operações, deflagradas em todo o país ontem (28), teve dois alvos em Rondonópolis. A ação nacional investiga a lavagem de dinheiro criminoso por meio do setor de combustíveis, e resultaram no cumprimento de mais de 400 mandados judiciais, incluindo 14 de prisão e centenas de buscas e apreensões em pelo menos oito estados.
Em Mato Grosso, além de Rondonópolis, houve cumprimento de mandados em Primavera do Leste (1), Diamantino (1) e Feliz Natal (1).
Segundo a Receita Federal, os alvos em Rondonópolis e nas outras cidades mato-grossenses estão entre os investigados na Operação Carbono Oculto, deflagrada em parceria com o Ministério Público de São Paulo.
Em Mato Grosso, o Ministério Público do Estado, que compôs a força-tarefa da operação, informou que foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, sendo dois deles em Rondonópolis. Não houve ação contra postos de combustíveis em Mato Grosso.
De acordo com o Ministério da Justiça, as medidas judiciais levaram ao bloqueio e sequestro de mais de R$ 3,2 bilhões em bens e valores. Os grupos criminosos movimentaram, de forma ilícita, aproximadamente R$ 140 bilhões.
Das três operações deflagradas ontem, o Ministério da Justiça explicou que duas foram pela Polícia Federal (Quasar e Tank); e uma pelo Ministério Público de São Paulo (Carbono Oculto). A Receita Federal participou das três.
Como havia muitos alvos em comum, houve cooperação envolvendo diversos órgãos, tanto no âmbito federal como estaduais. Por se tratarem de esferas de atuação e competências diferentes, a integração de forças foi ainda mais necessária.
A operação Carbono Oculto está voltada a desmantelar fraudes e sonegação fiscal no setor de combustíveis, articuladas por organizações criminosas.
A Quasar e a Tank têm como objetivo desarticular organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras.
As investigações identificaram um esquema sofisticado que utilizava fundos de investimento para ocultar o patrimônio de origem ilícita. O esquema era operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
Quasar e Tank
Só no âmbito da PF, a entidade informou que 141 veículos foram apreendidos; 1,5 mil veículos foram sequestrados; mais de R$ 300 mil em dinheiro apreendidos; mais de R$ 1 bilhão bloqueados. Foram também apreendidos ou sequestrados 192 imóveis e duas embarcações.
Além disso, 21 fundos de investimentos tiveram bloqueio total, além de ações em relação a 41 pessoas físicas e 255 pessoas jurídicas. Dos 14 mandados de prisão, seis haviam sido cumpridos até o início da tarde de ontem.
A Operação Quasar tem como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras.
A investigação identificou um esquema sofisticado que utilizava fundos de investimento para ocultar patrimônio de origem ilícita, com indícios de ligação com facções criminosas. Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto (SP).
A Operação Tank tem como foco o desmantelamento de uma das maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no Paraná (PR). As investigações também revelaram práticas de fraude na comercialização de combustíveis, como adulteração de gasolina e a chamada bomba baixa, em que o volume abastecido é inferior ao indicado.
Pelo menos 46 postos de combustíveis em Curitiba (PR) estavam envolvidos nessas práticas. A operação previa o cumprimento de 14 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão no Paraná, em São Paulo (SP) e no Rio de Janeiro (RJ).
Carbono Oculto
Na Operação Carbono Oculto foram cumpridos mandados em mais de 300 alvos em oito estados — Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo —, com bloqueio judicial de mais de R$ 1 bilhão em bens.
As investigações apontam que o grupo movimentou valores bilionários de 2020 a 2024, com importações de combustíveis que somaram mais de R$ 10 bilhões, créditos tributários já constituídos pela Receita no valor de R$ 8,67 bilhões, movimentações financeiras de R$ 52 bilhões em mais de mil postos de combustíveis em dez estados: Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Tocantins. E, ainda, R$ 46 bilhões foram operados por fintechs que funcionavam como bancos paralelos da organização.
O levantamento apontou ainda a existência de 40 fundos de investimentos utilizados para blindagem patrimonial, com ativos avaliados em R$ 30 bilhões, incluindo um terminal portuário, quatro usinas de álcool (mais duas em negociação), 1.600 caminhões para transporte de combustíveis e cerca de 100 imóveis.
Entre os bens estão seis fazendas em São Paulo, avaliadas em R$ 31 milhões, e uma residência de luxo em Trancoso (BA), adquirida por R$ 13 milhões.
O esquema envolvia importadoras, formuladoras, distribuidoras, postos de combustíveis e lojas de conveniência, com práticas como adulteração de gasolina com metanol, simulação de operações fiscais e uso de fintechs para dificultar o rastreamento do dinheiro.
A ocultação era feita por meio de fundos de investimento, que controlavam cerca de R$ 30 bilhões em patrimônio, incluindo usinas, terminais portuários, imóveis de luxo e frotas de caminhões.
Fonte: A Tribuna MT
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