Assinatura de contrato: Empresários dizem na CEI que 'estranharam' declaração de Jacques Polet

A CEI ouviu ontem os sócios-proprietários da CBS para esclarecer pontos do contrato firmado com a Santa Casa

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal, que investiga a situação financeira da Santa Casa de Rondonópolis, ouviu, ontem, os sócios-proprietários da empresa CBS Serviços Médicos Ltda, Douglas Dolce Domingues e Júnior César Gonçalves Figueiredo.

A empresa foi contratada pela Santa Casa, em 30 de outubro de 2023, por quase R$ 20 milhões, para prestar serviços ambulatoriais em diversas especialidades pelo programa Fila Zero, via Consórcio de Saúde Sul de Mato Grosso (Coress).

O contrato firmado com a empresa chamou a atenção da CEI durante depoimentos anteriores de testemunhas. Primeiro, o presidente do Conselho Administrativo e Financeiro da unidade de saúde, Jacques Polet, durante a sua oitiva no dia 29 de abril, disse que não havia assinado o documento e isto estaria sendo apurado internamente.

Já diretor financeiro do hospital, José Eduardo Ponciano de Carvalho, classificou o contrato firmado com a empresa CBS como “leonino” para o filantrópico.

Os dois representantes da empresa disseram que estranharam a declaração de Jacques Polet à CEI sobre não ter assinado o contrato.

“Ele [Jacques] esteve em algumas trativas desse contrato e depois numa reunião para defender na Promotoria a execução [contrato]”, afirmou Júnior.

Já Douglas, que é médico, esclareceu aos membros da CEI que a contratação da sua empresa pela Santa Casa se deu por meio de convite e que não houve intermediação de agente.

“Recebemos um convite para uma reunião com a diretoria da Santa Casa”, afirmou Douglas, observando que a empresa já trabalhava no município de Cuiabá, na realização de mutirões de cirurgias.

Ele ainda relatou que a empresa teve que trazer médicos de Cuiabá para realizar os procedimentos cirúrgicos.

“A gente queria absorver todos os médicos daqui. Mas eles [médicos] viraram as costas para nós, nos maltrataram e falaram horrores e até ameaças aconteceram”, relatou o empresário.

Prosseguiu dizendo que foi passado para a empresa que os profissionais da cidade consideravam baixo os valores propostos para execução dos procedimentos.

“Mesmo assim, a gente quis vir e executar os nossos serviços. Tanto que das seis especialidades que a gente iniciou, apenas três médicos de Rondonópolis quiseram trabalhar conosco. Então, tivemos que trazer profissionais de Cuiabá para executar mutirões somente nos finais de semana”, reforçou o médico da CBS.

Segundo ele, no período de janeiro a outubro do ano passado, o último mês trabalhado, a empresa CBS realizou na Santa Casa aproximadamente 1.500 cirurgias de seis especialidades.

“Os atendimentos ambulatoriais, que chegaram a um total de 2.003 pacientes, começaram um mês antes, em dezembro de 2023”.

Boicote

O empresário afirmou ainda que a empresa sofreu boicote, primeiramente dos médicos do hospital e, depois, da metade para frente da execução do contrato, de alguns membros da direção da Santa Casa.

“O CRM chegou até a mandar um ofício para a Santa Casa pedindo que fosse destituído o contrato com a CBS”, apontou.

 

 

Fonte: A Tribuna MT
Crédito da Foto: Ascom/Câmara Municipal