A 51ª Exposul – Exposição Agropecuária, Industrial e Comercial do Sul de Mato Grosso -, chegou ao fim no último sábado (9), deixando um saldo misto entre organizadores, expositores e visitantes.
Apesar da programação diversificada, que incluiu feira de negócios, atrações culturais e shows nacionais, o evento foi marcado por movimento abaixo do esperado e por uma intensa polêmica sobre os preços praticados na praça de alimentação e no acesso aos espetáculos.
Nos primeiros dias, especialmente nas programações de entrada gratuita, o fluxo de visitantes foi visivelmente menor em comparação com edições anteriores, segundo relatos de veículos de imprensa local e frequentadores.
Em parte, o clima foi ofuscado pela repercussão negativa nas redes sociais, onde circularam vídeos e fotos denunciando valores considerados excessivos para alimentação dentro do parque.
Entre os exemplos mais comentados estavam pastel, espetinho e cachorro-quente a R$ 25, refrigerantes a R$ 12 e água a R$ 10. Também houve críticas ao preço dos “passaportes” para os shows, que no lote promocional custavam R$ 279,99. As imagens e relatos ganharam rápida projeção, gerando centenas de comentários e compartilhamentos.
Repercussão política
A polêmica ultrapassou as redes e chegou à Câmara Municipal. O vereador Marisvaldo Gonçalves classificou os valores como “exorbitantes” e questionou a aplicação do uso dos recursos públicos no evento — a Exposul recebeu R$ 1 milhão da Prefeitura de Rondonópolis e R$ 2,5 milhões do Governo do Estado. Ele cobrou fiscalização dos preços e maior transparência na prestação de contas.
Posicionamento dos organizadores
O Sindicato dos Produtores Rurais de Rondonópolis, responsável pela organização, divulgou nota afirmando que havia um “cardápio oficial” definido pela comissão e que algumas imagens divulgadas não correspondiam à realidade do evento.
O comunicado também ressaltou que, ao longo da programação, houve dias com portões abertos para a população, como forma de garantir acesso gratuito.
Impacto sobre expositores
Com a combinação de público menor e repercussão negativa sobre os preços, expositores relataram desempenho abaixo do esperado em vendas. A presença de estandes também foi considerada inferior em relação a anos anteriores, segundo reportagens locais.
Para alguns empresários, a ênfase cada vez maior nos shows nacionais e na bilheteria pode estar afastando o perfil tradicional de visitantes — produtores rurais e compradores do setor agropecuário — que historicamente movimentavam negócios na feira.
Debate sobre identidade e futuro da Exposul
A edição de 2025 reabriu o debate sobre o perfil do evento. Enquanto parte do público defende a ampliação da programação artística e a manutenção de grandes atrações, outra parcela cobra o resgate do caráter mais popular e técnico da feira, com preços acessíveis e foco em oportunidades de negócios.
Autoridades municipais e estaduais, por sua vez, passaram a ser pressionadas a fiscalizar os contratos com permissionários e a condicionar repasses futuros à adoção de medidas que evitem novas controvérsias.
Uma possível solução, ouvida de um empresário que tradicionalmente investe na feira há muitos anos, seria franquear ou reduzir a preços módicos a entrada no parque de exposições, valorizando os stands, praça da alimentação e expositores; sendo que a arena (onde acontecem os shows e os rodeios) tivesse “custo próprio”, criando dessa forma a possibilidade dos visitantes optarem por frequentar a feira sem a obrigação de assistirem os shows nacionais — que possuem os custos mais altos para a própria organização.
Próximos passos
Após o encerramento, o Procon local informou que avalia denúncias recebidas e poderá instaurar procedimento para verificar se houve prática abusiva.
Até o fechamento desta matéria, o Sindicato dos Produtores Rurais ainda não havia divulgado o balanço oficial de público nem os resultados financeiros da edição.
Enquanto isso, nas redes sociais, a discussão sobre a Exposul 2025 continua ativa — dividindo opiniões entre aqueles que consideram o evento um sucesso e os que o classificam como a edição mais cara e menos acessível das últimas décadas.
Procuradoria-Geral e Procon solicitam informações sobre preços
A Procuradoria-Geral do Município de Rondonópolis e a Coordenadoria de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) estão solicitando do Sindicato Rural de Rondonópolis, realizador da 51ª Exposul, informações detalhadas sobre preços de fornecedores de bebidas e alimentos, assim como detalhamento dos preços praticados ao consumidor final durante os dias do evento. O objetivo é avaliar se houve ou não a prática de preços abusivos.
O prazo do Sindicato para enviar ao Procon essas informações com relatórios, contratos e notas fiscais que comprovem os valores dos preços de custo e valor cobrado do consumidor é de 15 dias.
As denúncias de preço abusivo foram amplamente questionadas nas mídias sociais e negadas pelos responsáveis pela organização da feira agropecuária.
O Procon informa à sociedade que em momento algum houve a informação dos preços dos itens: bebida em geral e alimentos ao órgão. Destaca ainda que o documento enviado pelo Sindicato Rural ao órgão continha apenas preços dos ingressos e dos passaportes da feira agropecuária.
Ademais, o Procon reiterou a importância dessa feira tradicional da cidade, que chega a sua 51ª edição como referência em evento informativo, comércio e veiculação de novas tecnologias, sendo importante instrumento troca de conhecimento para o homem do campo, assim como forte atrativo cultural da música sertaneja, que retrata a vida e a cultura do homem do campo.
Fonte: A Tribuna MT
Crédito da Foto: Divulgação