“Já estive do outro lado da linha. Do lado da dor, da vergonha, da culpa que não era minha. Eu sobrevivi à violência. E sobreviver me deu um propósito: transformar minha história em ponte para outras mulheres”.
Esse depoimento é meu: uma sobrevivente de um casamento violento, que ecoa a realidade de milhares de mulheres no Brasil e reforça a urgência da campanha Agosto Lilás, um mês dedicado à conscientização e ao combate à violência contra a mulher.
Em 7 de agosto de 2025, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) completa 19 anos de sanção, consolidando-se como um marco fundamental na proteção dos direitos das mulheres e no enfrentamento à violência doméstica e familiar.
Sua importância reside na criação de mecanismos para coibir e prevenir a violência, além de estabelecer medidas de assistência e proteção às vítimas.
A Lei Maria da Penha representa um avanço civilizatório, mas a luta por sua plena efetividade e pela erradicação da violência é diária, constante e sem trégua.
Os números alarmantes confirmam essa necessidade: a cada hora, uma mulher é agredida no Brasil simplesmente por ser mulher.
A situação em Mato Grosso é particularmente crítica, com o estado registrando, pelo segundo ano consecutivo, a maior taxa de feminicídios do país. Em 2024, foram 47 mulheres brutalmente assassinadas. E o primeiro semestre de 2025 já contabiliza 28 casos.
Em Rondonópolis, a tragédia se repete com 6 feminicídios registrados no último ano. Estamos perdendo vidas, famílias, futuros. E isso não é um dado. É uma tragédia!
Diante desse cenário desolador, aponto para a necessidade urgente de ações concretas em Rondonópolis. Entre as demandas prioritárias, destaca-se a criação de uma Delegacia Especializada da Mulher com plantão 24 horas, a implementação de políticas públicas permanentes e a fundação de uma Secretaria de Políticas para Mulheres.
Um dos grandes sonhos e ideais para as vítimas é a Casa da Mulher Brasileira. Este espaço integrado oferece todos os atendimentos necessários em um só lugar, desde acolhimento e apoio psicossocial até serviços jurídicos e policiais, funcionando 24 horas por dia, todos os dias da semana.
A importância de um local como a Casa da Mulher Brasileira reside na centralização dos serviços, facilitando o acesso e garantindo um suporte completo e humanizado às vítimas, consolidando uma rede de proteção eficaz.
É fundamental que as autoridades políticas compreendam que uma rede bem articulada, com todos os mecanismos de proteção e acolhimento funcionando plenamente, tem o poder de inibir agressores e proporcionar segurança às vítimas.
A Polícia Militar e a Polícia Civil, mesmo diante das dificuldades, realizam um trabalho de excelência, atuando como verdadeiros heróis na linha de frente. No entanto, é crucial que haja mais investimento em recursos e infraestrutura para fortalecer ainda mais o trabalho dessas instituições.
A rede de proteção precisa ser reforçada, articulada e valorizada. E mais que tudo: precisa funcionar!
Há 21 anos, me dedico, de forma voluntária, com amor, fé e genuína compaixão, a cuidar de outras mulheres e famílias que enfrentam a violência. Essa jornada é um testemunho vivo de que, mesmo diante da dor, é possível transformar vidas e construir um futuro de esperança.
O Jornal A TRIBUNA sempre parceiro das causas sociais, tem sido um aliado fundamental nessa jornada, abrindo espaço para a divulgação e amplificação dessas vozes e lutas, desde o início do trabalho voluntário de Sandra Raquel em defesa das mulheres vítimas de violência. A divulgação é crucial para que a sociedade e as autoridades se mobilizem em prol de um futuro sem violência para todas as mulheres.
Fonte: A Tribuna MT
Crédito da Foto: Arquivo