Líder do prefeito Cláudio Ferreira (PL) na Câmara Municipal, o vereador Ibrahim Zaher (MDB) reconhece que a decisão de encaminhar a liquidação da Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder) é difícil, mas é necessária diante da situação caótica vivenciada pela empresa pública, que tem 48 anos de existência e hoje conta com mais de 600 trabalhadores.
“A medida é dura, mas necessária”, atestou o emedebista ao defender a decisão de liquidar a companhia.
“A Coder tem um problema crônico, e não é de hoje. Outros prefeitos tentaram resolver e a dívida só aumentou. Caiu no colo do Cláudio para ele resolver agora, pois ficou insustentável”, afirma Zaher.
“Ele (Cláudio) poderia colocar mais dinheiro para tentar salvar a Coder e, com isso, comprometer os investimentos na cidade, que carece de infraestrutura, hospital, mobilidade. Isso seria irresponsável”, avalia o vereador. “Pois, já vimos que este é um modelo que não funciona mais”, atesta.
“O ex-prefeito Zé Carlos tentou salvar a Coder. Investiu na compra de maquinários, realizou concurso para contratar mais gente para realizar mais serviços e o que aconteceu? A dívida só aumentou”, reitera o emedebista.
Ele salienta ainda que até o pagamento dos trabalhadores pode estar comprometido futuramente. Pois, hoje, segundo o vereador, a empresa só realiza contrato de serviços com o município por conta de uma autorização temporária do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
“Mas, esses contratos só estão sendo autorizados até quando a mesa técnica criada no Tribunal de Contas define o futuro da empresa, que não tem mais patrimônio. O que tinha já foi vendido. Daqui a pouco não tem como pagar mais o salário dos trabalhadores”, prevê o parlamentar.
“Este ano mesmo o município teve que buscar mecanismos para garantir o pagamento dos serviços prestados pela empresa e dos salários dos servidores”, lembra Ibrahim.
Ressalta o vereador que a decisão de liquidar a empresa não agrada ao prefeito e nem aos vereadores. “Contudo, o momento exige coragem e compromisso do atual gestor com o futuro de Rondonópolis”.
“Não é fácil, mas é preciso encarar o problema e resolver de forma que os direitos dos trabalhadores sejam garantidos. O que fazer com os trabalhadores da empresa é uma preocupação dele (prefeito) e nossa (vereadores)”, diz Zaher.
De acordo com o parlamentar, legalmente é impossível extinguir a Coder e levar os trabalhadores para dentro da estrutura administrativa da prefeitura ou, até mesmo, para uma autarquia.
“Os vínculos que eles têm (trabalhadores) hoje são com um CNPJ específico. Seria necessário novo concurso, uma nova estrutura jurídica. Portanto, não tem como”, frisa.
Diante disso, ele destaca que o melhor caminho é a criação de uma cooperativa para que possa absorvê-los, a exemplo da Coomser, como está propondo o prefeito Cláudio Ferreira.
“Neste primeiro momento, sabemos que os trabalhadores podem não querer. Mas esta é uma alternativa, com um novo CNPJ, para garantir a eles que tenham um posto de trabalho dentro de uma nova estrutura que funcione”.
Ibrahim Zaher lembra o caso da Coomser, que foi criada por ex-servidores da Companhia de Saneamento do Estado de Mato Grosso (Sanemat), extinta em 2000. A Coomser hoje presta serviço, por exemplo, para o Sanear, a Santa Casa e em outras cidades.
“No início também houve resistência. Porém, hoje é um modelo que funciona, presta serviço com segurança jurídica e com salários em dia para os seus trabalhadores”, completou.
Fonte: A Tribuna MT
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