Santa Casa: Médico aponta subfinanciamento como principal causa do endividamento

O médico Sinésio Alvarenga compareceu à Câmara Municipal sem a companhia de advogado

O ex-presidente do conselho administrativo da Santa Casa de Rondonópolis, o médico Sinésio Alvarenga afirmou, ontem, durante o seu depoimento à Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal, que a principal causa da atual dívida milionária do hospital filantrópico é o subfinanciamento dos serviços que presta para o poder público.

Sinésio Alvarenga, que é membro da irmandade mantenedora da Santa Casa, foi a décima testemunha convocada pelos membros da CEI, instaurada em meados de março deste ano, para apurar as causas da grave crise financeira pela qual passa a unidade de saúde, que tem uma dívida estimada hoje em R$ 70 milhões.

“É importante reconhecer falhas que tenham existido na gestão da Santa Casa estes anos todos. Teve alguns diretores que até reconheceram isso aqui (CEI) e me parece que já estão corrigindo, fazendo cortes de contratos. No entanto, tenho certeza que estas falhas são muito menores do que o déficit causado pelo subfinanciamento”, atestou.

Ele ressaltou que Santa Casa vende serviço para o poder público, mas não é ela que determina o preço.

“A Santa Casa precisa que o comprador seja justo com ela. Uma loja quando vende um produto estipula o preço dela. Já a Santa Casa vende o serviço para o poder público, mas não estipula o preço. Recebe o que comprador quer pagar, sem previsão de correção. Como esta instituição pode dar conta? Não tem como”, questionou Sinésio.

O médico citou, como exemplo, o caso das UTIs que até 2017 o Estado, na gestão do ex-governador Pedro Taques, pagava uma diária de R$ 1.500 por leitos disponíveis.

“Depois passou a pagar só por ocupados [leitos]. Por este raciocínio, teria que aumentar a diária para R$ 1.900. Estranhamente, reduziu para R$ 1.300. A UTI que vinha alguns anos no mesmo valor, já dando prejuízo, aumentou mais”, explicou.

“O prejuízo com UTIs é hoje de 10 a 12 milhões. O preço da diária é o mesmo desde 2017. O ideal seria R$ 2.500”, ponderou o médico, que fez parte da diretoria da Santa Casa de maio de 2016 a dezembro de 2022.

Além do subfinanciamento dos serviços prestados, Sinésio também comentou que atrasos nos pagamentos contribuíram para a situação atual.

“Quando a gente recebe atrasado, a gente paga atrasado. Paga mais caro. Isso gera juros e contribui para o aumento da dívida”.

O depoente também foi provocado pelos membros da CEI para falar sobre a sua relação com a ex-diretora executiva Bianca Talita Franco. Segundo ele, a ex-diretora “ajudou muito a Santa Casa”, mas acabou se perdendo por conta de dificuldade de relacionamento interno.

“Gosto muito dela [Talita]. É uma pessoa competente. Mas perdeu a mão e perdeu a credibilidade dentro da instituição”, apontou o médico, refutando, em seguida, a afirmação feita por ela de que haveria dentro da Santa Casa uma “máfia médica”.

“Não vejo máfia. Nunca vi isso na Santa Casa. O que vejo lá são médicos que trabalham e suportam atrasos enormes”, completou.

 

 

Fonte: A Tribuna MT
Crédito da Foto: Secom/Câmara Municipal