Dia do Orgulho LGBTQIA+: Movimento avalia avanços e busca por garantia de direitos e inclusão

O presidente da Ong União Diversidade Rondonópolis, Moisés Passos, fala de avanços e busca por garantia de direitos e inclusão

O movimento LGBTQIA+ celebra, neste sábado (28), o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. Em Rondonópolis, o movimento comemora o orgulho, celebra direitos e avanços já obtidos ao longo dos anos, mas ainda cobra mais políticas públicas e, para isso, a criação de um conselho estadual e de um municipal da diversidade, bem como de uma delegacia especializada em crimes de homofobia em Mato Grosso.

Presidente da Organização Não-governamental (Ong) União Diversidade de Rondonópolis, Moisés Passos, destaca que nos últimos anos houve avanços e é importante que se comemore os direitos conquistados e o orgulho de ser LGBTQIA+, ao mesmo tempo, reforça que é preciso união para se obter novos avanços como a criação de um conselho estadual e um municipal da diversidade.

“Com os conselhos é possível debater a necessidade e atuar para que novas políticas públicas sejam implantadas”, aponta.

Ele explica que os gestores estaduais já tentaram criar o conselho estadual da diversidade em Mato Grosso.

“Tanto o ex-governador (Pedro Taques) como o atual (Mauro Mendes) fizeram decretos criando o conselho estadual da diversidade, mas nas duas ocasiões a Assembleia Legislativa derrubou os decretos. Então, a criação do conselho no estado ainda é hoje uma das lutas do movimento em Mato Grosso. Em Rondonópolis, há uma cadeira LBGTQIA+ no Conselho da Igualdade Racial, mas não há um conselho da diversidade”, relata.

Para Moisés Passos, a criação dos conselhos é fundamental, porque por meio dele, fica mais fácil que políticas públicas específicas possam ser discutidas, elaboradas e criadas.

“Hoje, por exemplo, ainda precisamos de políticas públicas de inserção no mercado de trabalho, até porque, ainda hoje, sabemos que há pessoas LGBTQIA+ que vive em situação vulnerável, de prostituição e que precisa de políticas públicas para inclusão no mercado de trabalho”, exemplifica e aponta que hoje o preconceito é maior com pessoas travestis e trans, que acabam estando mais vulneráveis à violência e a exclusão. “Ainda é preciso avançar mais”, atesta.

O presidente da Ong destaca ainda que outra luta importante é a criação de uma delegacia especializada em crimes de homofobia.

“Infelizmente ainda há muita violência contra as pessoas LGBTQIA+ em Mato Grosso e nem sempre a segurança pública está preparada para atender de forma adequada as vítimas, que em alguns casos, são vítimas mais uma vez quando buscam apoio policial”, argumenta.

“Por isso é importante que se crie uma delegacia especializada com profissionais da segurança pública capacitados para atender as pessoas LGBTQIA+ vítimas de violência. Até porque não podemos esquecer que Mato Grosso é um dos estados com mais registros de crimes de homofobia e que mata pessoas LGBTQIA+ no Brasil”, relata.

Apesar da necessidade de mais avanços, Moisés Passos, reforça que também é preciso celebrar o “orgulho”.

“Resistimos muito para poder estar aqui hoje e temos que ter orgulho sim, pois estamos aqui lutando e vivos!”, celebra e deixa uma mensagem de inclusão: “Temos que ser sempre um movimento de inclusão, não de exclusão. Temos que garantir direitos e inclusão para todos”, conclui.

 


Fonte: A Tribuna MT
Crédito da Foto: A Tribuna