O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) emitiu uma nota técnica com orientações aos profissionais para o atendimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em diversas cidades do estado.
A nota vem após alerta da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES/MT), que neste sábado (7), informou que foram registrados 36 óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Mato Grosso no mês de maio. Destes, 88% foram entre pessoas que não haviam tomado a vacina contra a influenza.
A SES/MT explicou ainda que a análise de perfil das vítimas mostra que oito em cada dez óbitos registrados em maio foram de idosos com mais de 61 anos, sendo que sete tinham de 76 a 80 anos e sete tinham mais de 80 anos.
Este padrão é consistente com o perfil nacional de maior gravidade e letalidade da Influenza A em idosos.
O documento elaborado pela Câmara Técnica de Clínica Médica do CRM-MT destacou também a elevação do número de óbitos associados às infecções, com maior impacto entre os meses de março e agosto, período de sazonalidade intensificada dos vírus respiratórios.
O CRM-MT explicou na nota técnica que a SRAG é uma infecção com início súbito que afeta principalmente crianças, idosos, gestantes, imunossuprimidos e pessoas com doenças crônicas. Entre os agentes etiológicos mais frequentes estão os vírus Influenza A e B, Vírus Sincicial Respiratório (VSR), Parainfluenza e o SARS-CoV-2.
De acordo com o 1º vice-presidente do CRM-MT, Adriano Pinho, o avanço dos casos em 2024 e início de 2025 acompanha uma tendência nacional, e expõe a sobrecarga dos serviços de saúde e as fragilidades no sistema de vigilância epidemiológica.
“É urgente reforçar a estrutura da atenção primária, capacitar profissionais e garantir o acesso rápido a exames e antivirais como o Oseltamivir”.
Além da ampliação da testagem (RT-PCR e testes rápidos) e da vigilância ativa, o CRM-MT ressaltou a importância do diagnóstico precoce, do manejo clínico adequado nas unidades básicas de saúde (UBS) e da vacinação. O calendário vacinal anual contra a gripe e a Covid-19, por exemplo, continua sendo uma das principais estratégias de prevenção.
“Com a chegada das baixas temperaturas, aumenta os casos de gripe. Buscar estratégias de prevenção como a vacinação é a melhor forma de cuidar da saúde”, destacou uma das responsáveis pela elaboração do documento, a médica Elaine Patrícia Souza Silva.
Além dela, assinam a nota os médicos Adriana Gibo Podanosque, Eduardo Cal Ferrari e José Mário Podanosque.
Entre os sinais de alerta para agravamento da SRAG estão dispneia intensa, uso de musculatura acessória para respirar, saturação de oxigênio abaixo de 92%, alteração do nível de consciência, febre persistente e dificuldade para ingestão de líquidos, especialmente em crianças.
A nota orientou que pacientes com sintomas leves procurem as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para evitar a superlotação de unidades de pronto atendimento e hospitais. Já os casos com sinais de gravidade devem ser imediatamente referenciados.
Por fim, o texto reforçou a necessidade da notificação obrigatória dos casos suspeitos e confirmados no sistema de informação do Ministério da Saúde, lembrando que a subnotificação ainda é um desafio em Mato Grosso e pode comprometer a resposta epidemiológica.
Fonte: A Tribuna MT
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