Mais 28 escolas estaduais de Mato Grosso podem ser transformadas em cívico-militares. As unidades estão em 22 municípios, entre eles Cuiabá (4) e Várzea Grande (3). As novas unidades estão dentro da meta do governo estadual de alcançar 100 escolas neste modelo até 2026. Atualmente, 33 unidades da rede, que soma 628 escolas, já funcionam nesse formato e há ainda outras 29 escolas militares.
Para o Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), a militarização é inconstitucional e representa o desmonte da educação pública no Estado. Comunidade escolar e especialista em educação também questionam o modelo. Nesta semana, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) publicou o edital de chamamento de consulta para o modelo que prevê a atuação de militares da reserva nas áreas disciplinares e no apoio à gestão administrativa, que continua sob responsabilidade de profissionais civis da Seduc.
O corpo docente, coordenadores pedagógicos e demais servidores seguem os mesmos das escolas regulares, bem como o material pedagógico utilizado. Presidente do Sintep -MT, Valdeir Pereira destaca que a militarização da escola pública constitui práticas pedagógicas que restringem o que seriam princípios constitucionais do pluralismo de ideias e de concepções.
O dirigente alertou ainda para o desvio de finalidade da função da Polícia Militar, “que é fazer a segurança da população”, e o fato de que os profissionais não são consultados sobre as mudanças. Professor da Elmaz Gattas, no bairro Ipase, uma das escolas escolhidas em Várzea Grande, Gilliard Hortência afirma que a decisão causa “estranheza” já que a Seduc sempre alegou que as unidades que seriam transformadas em cívico-militares seriam escolas em locais de mais “vulnerabilidade”.
“Ao que parece, estão escolhendo a dedo as escolas, não estão escolhendo nada para melhorar estruturas. Pegam apenas as que têm boas estruturas ou que estão passando por reformas e não escolas que teriam realmente necessidade de mais investimentos”. Ele diz ainda que causa preocupação o fato do governo achar que um “padrão” vai resolver o problema da educação e lembra que a educação deve prezar por uma escola “plural”, como mais “diversidade”.
“Não podemos ter estudantes padrão, porque a sociedade não é. Ter uma escola diversificada ajuda na formação dos estudantes para quando estiverem fora da escola”.
MILITARES
Em Mato Grosso, além das cívico-militares há ainda 29 escolas militares, sendo 24 delas unidades da Escola Estadual Militar Tiradentes, sob responsabilidade da Polícia Militar, e cinco da Escola Dom Pedro II, do Corpo de Bombeiros. Nessas instituições, a administração é feita por militares da ativa, mas o conteúdo pedagógico segue as diretrizes da Seduc.
Fonte: A Gazeta
Crédito da Foto: Seduc/MT