Tensão aumenta entre Venezuela e Guiana em disputa por território; entenda

A ditadura de Nicolás Maduro agora reivindica parte desse território e convocou um referendo, intensificando a tensão na

A secular disputa territorial entre a Venezuela e a Guiana ressurgiu com a descoberta de petróleo na Guiana, levando a um dos crescimentos econômicos mais rápidos do mundo.

A ditadura de Nicolás Maduro agora reivindica parte desse território e convocou um referendo, intensificando a tensão na América do Sul.

A votação está agendada para 3 de dezembro, com os venezuelanos sendo questionados sobre o apoio à criação do Estado chamado "Guiana Essequiba". No último domingo, uma simulação do referendo foi realizada, sendo celebrada pela Venezuela como um "sucesso", sem fornecer detalhes sobre a participação.

A anexação do território de 160.000 quilômetros quadrados já foi delineada em mapas divulgados pela ditadura, propondo que os 125 mil habitantes recebam a cidadania venezuelana. Esse novo Estado abrangeria 75% do território da Guiana atual, equivalente ao tamanho da Tunísia, e é rico em ouro, diamantes e petróleo.

O presidente da Guiana, Irfaan Ali, expressa a esperança de que a "sensatez" prevaleça, mas afirma estar preparado caso Caracas opte pela "imprudência".

O referendo é uma resposta da Venezuela ao leilão de exploração de petróleo anunciado pela Guiana, desencadeando uma ofensiva de Caracas que alega que a Guiana não tem o direito de conceder áreas marítimas na região.

A disputa, que se intensificou desde 2015, tem raízes históricas. Após a independência da Venezuela em 1811, o Reino Unido assumiu o controle da Guiana em um acordo com a Holanda, resultando em fronteiras indefinidas. A coroa britânica acabou reivindicando o território em 1899 após um tribunal de desempate.

A Guiana, em 1966, reivindicou o território novamente, alegando que o juiz russo no tribunal de 1899 conspirou com os britânicos. Apesar de um acordo em Genebra em 1966, a disputa persiste, com a Guiana buscando a manutenção da decisão de 1899 e a Venezuela usando a brecha de 1966 para reivindicar o território.

Diante do impasse, os ministros da Defesa e das Relações Exteriores de países sul-americanos reuniram-se em Brasília, pedindo às partes que busquem uma solução pacífica por meio de canais diplomáticos.

Enquanto 57% dos venezuelanos apoiam a união na disputa pelo Essequibo, independentemente das posições políticas, a líder da oposição, María Corina Machado, pede a suspensão do referendo, acusando Maduro de usar a disputa como uma "distração" antes das eleições de 2024. A oposição enfrenta incertezas após a suspensão das primárias pelo Tribunal Supremo de Justiça.