Os líderes sindicais da Argentina estão atentos ao discurso do presidente eleito libertário, Javier Milei, e expressam preocupação com suas propostas, consideradas contrárias aos interesses trabalhistas.
Héctor Caro, secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), afirmou que as ideias de Milei sobre cortes na economia e privatizações não estão alinhadas com o desenvolvimento do país, criação de empregos e interesses sindicais.
A oposição mais firme aos planos de privatização de Milei veio do chefe da Associação de Pilotos de Linha Aérea, Pablo Biró, que declarou que Milei "terá que literalmente nos matar" para realizar seu plano de mudar a estrutura de propriedade da companhia aérea estatal Aerolíneas Argentinas.
A maioria dos líderes sindicais adotou uma postura de "esperar para ver", reconhecendo que os argentinos votaram em Milei e aguardarão para ver como ele implementará suas políticas. Alguns, no entanto, destacam que a resistência já começou.
"Mal podemos esperar para ver se este homem terá sucesso", disse Daniel Catalano, secretário-geral da Associação dos Trabalhadores do Estado, durante a marcha das Mães da Praça de Maio. Ele expressou a falta de expectativas em relação a Javier Milei. Catalano representou sindicatos e organizações sociais que se uniram às Mães da Praça de Maio em uma marcha, onde apoiadores foram chamados a se unir simbolicamente à oposição ao governo de Milei.
Além das preocupações trabalhistas, há também inquietação entre organizações de direitos humanos quanto a um possível retrocesso nas políticas que permitiram a acusação de autores de crimes contra a humanidade durante a ditadura militar argentina. Líderes de organizações sociais de esquerda se reuniram para discutir estratégias de resposta às políticas de Milei e planejar protestos de rua contra a austeridade.