O presidente eleito da Argentina, Javier Milei, reafirmou na segunda-feira, 20, seus planos de privatizar a petrolífera YPF, a TV pública, a Rádio Nacional, a agência de notícias Télam e de encerrar as atividades do Banco Central.
Ele ressaltou que a inflação pode demorar dois anos para diminuir e destacou que as reformas começarão pela reestruturação do Estado e pela resolução dos problemas relacionados aos "Leliqs" (títulos emitidos pelo Banco Central).
"Tudo o que puder estar nas mãos do setor privado, estará nas mãos do setor privado", afirmou Milei em entrevista a rádios locais. Ele não estabeleceu um prazo para as privatizações, que são o foco de sua campanha voltada para reduzir o tamanho do Estado argentino, responsável por 42% do PIB, conforme estimativa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Uma das questões-chave para a implementação da agenda ultraliberal de Milei é a necessidade de apoio legislativo, uma vez que tanto as privatizações quanto o fim do Banco Central dependem desse respaldo. Seu partido La Libertad Avanza (LLA) não possui maioria, já que o presidente eleito contará com 38 dos 257 deputados e 7 dos 72 senadores.
A aliança feita no segundo turno com Patricia Bullrich e Mauricio Macri pode adicionar mais 93 deputados e 24 senadores, mas ainda não está claro se essa coalizão de centro-direita será capaz de atuar de maneira unificada, pois uma facção, ligada a Horacio Rodríguez Larreta, governador de Buenos Aires, é contrária a Milei.
Uma alternativa seria tentar vender 51% das ações de estatais com base em um Decreto de Necessidade e Urgência (DNU), mas, segundo especialistas, isso também exigiria a posterior aprovação do Congresso, representando um risco para os compradores.
Entre as estatais, a YPF é um ponto delicado, empregando cerca de 100 mil argentinos. Milei afirmou que, antes de privatizá-la, é necessário reorganizar a empresa, que foi privatizada nos anos 90, nacionalizada em 2012 e, recentemente, teve seu valor aumentado devido à expropriação.
O presidente eleito também anunciou seus planos de viagem antes da posse em 10 de dezembro, com visitas a Miami e Nova York, nos EUA, e Tel-Aviv, em Israel. A primeira viagem tradicional dos eleitos à Argentina foi excluída, mas Milei planeja visitar o Uruguai em breve, a convite do presidente Luis Lacalle Pou.
Em relação à transição, houve tensão entre Milei e o governo, especialmente após rumores de que Sergio Massa, candidato derrotado, renunciaria ao cargo de ministro da Economia, o que poderia afetar a transição. O presidente eleito chamou Massa de "irresponsável". Apesar do tempo limitado – apenas duas semanas até a posse –, Massa confirmou que permanecerá no cargo e montou uma equipe de transição para trabalhar com Milei. O próximo governo espera revelar mais nomes nos próximos dias, incluindo o do futuro ministro da Economia, em um esforço para cumprir as promessas de redução do número de ministérios.
Fonte: Da Redação
Data: 21/11/2023