Ferramentas de Inteligência Artificial encontram resistência em testes

As contradições que envolvem as tecnologias de Inteligência Artificial (IA) acenderam alertas na comunidade internaciona

As contradições que envolvem as tecnologias de Inteligência Artificial (IA) acenderam alertas na comunidade internacional. Nesta semana, mais de 1.200 cientistas, pesquisadores, empresários e historiadores pediram a suspensão dos testes com IA por, no mínimo, seis meses. A presença de nomes como o fundador da Apple Steve Wozniak e do CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, reverberaram no mundo político e também entre desenvolvedores.

Após a divulgação do documento, a IA experimental geradora de imagens Midjourney interrompeu os testes gratuitos. A plataforma norte-americana ganhou as manchetes e as redes sociais após a viralização de imagens do papa Francisco com roupas descoladas. Países de todo o mundo correm para regulamentar o uso responsável deste tipo de tecnologia. Entre os argumentos estão os riscos de sua utilização maliciosa para criar fake news e disseminar desinformação. Com a alta qualidade das imagens, fica fácil induzir o público ao erro e à crença de que se trata de algo verídico.

 

ChatGPT na mira

Outra tecnologia da IA que enfrenta resistência é o ChatGPT, da empresa – também norte-americana – OpenAI. A plataforma impressionou o mundo ao imitar, com competência, a linguagem humana. O mecanismo utiliza algorítmos para encadear palavras e mimetizar o comportamento humano através de uma plataforma de conversas (chatbot). Ele é capaz de criar os mais diferentes tipos de textos, como artigos científicos, códigos de programação, petições judiciais, entre outros.

Para isso, o ChatGPT utiliza um sistema de aprendizado de máquina (machine learning). Ele é capaz de “aprender” conforme dialoga com os usuários. Este mecanismo é justamente pivo da mais nova polêmica em torno da ferramenta. A Agência de Proteção de Dados da Itália (GPDP) baniu o ChatGPT do país. Agora, a Justiça local investiga se a plataforma viola regras de coleta de dados de usuários. A agência ainda argumenta que há falta de transparência no chatbot.

 

Então, a Justiça deu 20 dias para que a OpenAI responda às acusações. A pena pecuniária, confirmadas as suspeitas, é de 20 milhões de euros, o que representa 4% da receita da empresa. “O ChatGPT trabalha sem qualquer base legal que justifique a coleta e armazenamento em massa de dados pessoais com o objetivo de ‘treinar’ os algoritmos subjacentes à operação da plataforma”, informou a agência.

Alucinações da Inteligência Artificial

A estimativa da OpenAI é de que mais de 100 milhões de pessoas utilizem a plataforma. Cientistas de todo o mundo criticam a falta de transparência da empresa, que pode resultar em problemas sérios em pouco tempo. Além do possível mau uso da ferramenta, pesam sobre ela críticas a respeito da ausência de compromisso com questões intrínsecas dos humanos, como verdade e ética. Não é raro a plataforma fornecer informações inventadas, algo que os cientistas de dados chamam de “alucinação”.

Entretanto, existe certo consenso de que as ferramentas de IA vieram para ficar; e que a evolução deve ser rápida. Cabe, agora, aos Estados, um estudo minucioso das tecnologias e seus impactos para uma regulação eficiente que impeça distorções e malefícios.

Fonte: RBA